PERU · GUIA PRÁTICO · DINHEIRO

A moeda é o sol,
e tem um golpe

Como pagar no Peru sem perder grana à toa: a moeda de lá, onde o cartão rola e onde só o dinheiro salva, o IOF, a casa de câmbio certa, a tarifa real do caixa eletrônico e como não levar nota falsa pra casa.

Por Dan Loures · Atualizado em 7 de outubro de 2026

ESCRITO NA ESTRADA, PAGANDO EM SOL TODO DIA.

Vou te falar como funciona na prática, direto de quem tá pagando as contas por aqui. A moeda do Peru é o sol peruano (código PEN, símbolo S/), e o jogo é simples: cartão pro que dá, sol vivo pro que não dá.

A moeda: o sol peruano

O BÁSICO DO SOL

Sol peruano (PEN · S/)

  • As notas: S/ 10 (uns R$ 14), 20, 50 e 100 são as comuns; a de S/ 200 (uns R$ 290) é rara (evita, tem gente que nem quer trocar). Ainda tem moedas de céntimos e de S/ 1, 2 e 5.
  • Quanto vale: lá por setembro de 2026, 1 sol tava valendo em torno de R$ 1,51 (ou seja, R$ 1 dava uns S/ 0,66). Isso muda todo dia, então usa como referência e confere a cotação na véspera de trocar.
⚠️ Câmbio é dado vivo: qualquer número de cotação que você ler (aqui ou em qualquer lugar) é uma foto de um dia. Antes de trocar grana, dá uma olhada na cotação do dia num conversor confiável pra saber se a taxa que te ofereceram tá justa.

Cartão ou dinheiro?

Os dois, cada um na sua hora. Restaurante, hotel e loja maior costumam aceitar cartão, e a bandeira mais aceita por aqui é a Visa. Mas tem MUITA coisa que só rola no dinheiro: táxi, mercado, barraquinha, aquele troco do dia a dia. Então:

A DIVISÃO QUE EU FAÇO
  • Cartão (Visa na frente): restaurante, hotel, loja, compra maior. Prático e você não anda com muito dinheiro no bolso.
  • Sol vivo, de preferência miúdo: táxi, mercado, feira, gorjeta, aquele lanche de rua. Anda sempre com nota pequena, porque troco de nota grande é sempre um perrengue.
⚠️ O custo escondido do cartão (IOF): toda compra ou saque que você faz fora do Brasil tem IOF, o imposto brasileiro. Regra vigente: 3,5% na compra e no saque com cartão fora do país (Decreto 6.306/2007, art. 15-B, incisos VII e IX, redação do Decreto 12.499/2025; conferi na fonte em 06/out/2026). Comprar moeda em espécie no Brasil também paga IOF; a alíquota dessa operação eu não conferi na fonte, pergunta na casa de câmbio. Tem conta internacional que entrega um câmbio melhor, mas atenção: o IOF você paga do mesmo jeito. Não existe fugir do IOF, só existe pagar menos câmbio ruim por cima.

Trocar dinheiro sem tomar golpe

Aqui é onde o brasileiro desavisado se ferra, então presta atenção. Dá pra trocar em banco, casa de câmbio e com cambista de rua (aqueles de colete). O cambista de rua quase sempre dá a taxa mais atraente, MAS é exatamente ali que mora o risco de nota falsa e de conta errada na velocidade. A regra é:

TROCA SEGURA
  • Prefere casa de câmbio formal. Perde um tiquinho na taxa, ganha em não levar nota falsa pra casa.
  • Confere o valor ANTES de sair do balcão. Conta a grana ali, na frente, sem pressa.
  • Aprende o teste da nota: o método oficial pro sol é Sentir (a textura, é de algodão), Olhar (a marca d'água contra a luz) e Girar (a tinta que muda de cor quando você inclina). Nota que não passa nisso, recusa.
  • ATM (caixa eletrônico) saca sol e também dólar, mas cobra uma tarifa por saque, além do IOF. Tem seção só sobre isso logo abaixo.

Sacar dinheiro no caixa eletrônico (e o que eu descobri do pior jeito)

Essa parte eu aprendi na rua, 1h30 da manhã, em Miraflores. Então vai completa, porque é onde o brasileiro perde dinheiro sem perceber.

⚠️ Sem cartão FÍSICO você não saca. Eu viajo só com o celular, pagando tudo por aproximação, e me dei mal: caixa eletrônico é de enfiar cartão, e o cartão no celular não resolve. Alguns caixas de banco aceitam aproximação, mas é minoria e você não quer descobrir isso de madrugada. Leva o plástico na mala.
COMO NÃO PERDER GRANA NO CAIXA
  • Escolhe sol, não dólar. O caixa oferece as duas moedas. Você vai gastar em sol, então tira sol e evita uma conversão a mais no meio.
  • Recusa a conversão na tela. Quando a máquina se oferecer pra te cobrar em real (ou em dólar) e já mostrar a taxa dela, diz não e escolhe ser cobrado em sol. Motivo, na palavra da própria bandeira: se você aceita a conversão do caixa, quem converte é o dono da máquina, e a taxa da Mastercard deixa de valer. A Visa também tem regra própria pra isso no manual público dela.
  • Tira o máximo de uma vez. A tarifa é por saque, não por valor: três saques pequenos pagam três tarifas.
  • A tarifa do GlobalNet (aqueles caixas de loja e posto) pra cartão de banco estrangeiro é de até S/ 7,50 ou US$ 2,50 (uns R$ 11), segundo a própria rede (consultei em 15/set/2026). É teto, não valor fixo: a máquina mostra quanto vai cobrar antes de você confirmar, e você pode cancelar ali.
  • Limite por operação: no GlobalNet o Interbank publica S/ 2.500 ou US$ 800 (uns R$ 3.620) das 6h às 23h59, e bem menos de madrugada, S/ 850 ou US$ 480 (uns R$ 1.230). Outro banco que usa a mesma rede, o Pichincha, publica S/ 2.500 (uns R$ 3.620) e US$ 500 (uns R$ 2.480). Ou seja: o limite muda conforme quem opera a máquina, e o teu banco lá do Brasil tem o limite dele por cima disso.
  • Olha a máquina antes. O próprio governo peruano avisa pra conferir se o caixa e a maquininha estão seguros, por causa de clonagem. Caixa dentro de banco, de shopping ou de loja movimentada é sempre melhor que o da rua deserta.
🎰 A pegadinha que quase ninguém sabe: cartão brasileiro costuma ser recusado em cassino, e não é defeito do teu cartão. Toda maquininha e todo caixa tem um código de ramo, e o de cassino (o tal 7995) é bloqueado por vários bancos do Brasil, ainda mais em compra internacional. Eu descobri isso no caixa do cassino em Lima. O bloqueio é do estabelecimento: caixa de rua, de banco ou de farmácia passa normal.

Quanto custam as coisas de verdade

Pra você ter uma noção de bolso (esses são valores de referência de mercado de 2026, e variam de lugar pra lugar):

FAIXA DE PREÇO (REFERÊNCIA, VARIA)
  • Menú executivo simples: em torno de S/ 12 (uns R$ 17) (o prato do dia com entrada e bebida, o barato de todo dia).
  • Garrafa de água: uns 2 soles.
  • Cappuccino: uns S/ 10 (uns R$ 14).
  • Táxi: não tem taxímetro no Peru. Táxi de rua, o preço se combina ANTES de entrar; no Uber, DiDi ou InDrive o valor aparece na tela, que foi o que eu usei.

🥤 A real da minha experiência: eu paguei em sol o tempo todo e tomei muita Inca Kola (o refri amarelo que o peruano ama). E olha, tem armadilha de preço: num restaurante de vista pra Plaza de Armas em Cusco, o Chise, uma garrafinha de Coca-Cola de vidro me saiu S/ 14 (uns R$ 20) (uns R$ 21). Achei um assalto kkk. Nos lugares de vista da praça o preço sobe bastante, então segura a vontade de pedir refrigerante e você economiza sem sentir.

Resumindo o meu esquema no Peru: cartão Visa pro que dá, sol miúdo pro dia a dia, troca só em casa de câmbio conferindo a nota, e o olho vivo no preço de bebida em lugar turístico. Com isso você não perde grana boba. (Fontes de preço e câmbio: dados de mercado tipo Numbeo e Wise, que mudam sempre.)

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